quinta-feira, abril 19, 2012

Fórum O Social no séc. XXI - A Inovação aprende-se?



No dia 30 de Março a AEDAR  organizou mais um fórum no âmbito do Social no séc. XXI, desta vez dedicado à inovação com o tema: A Inovação aprende-se? Tivemos o prazer de ter como convidada a Dra. Elvira Fortunato, premiada cientista portuguesa e professora na Universidade Nova da Costa da Caparica.

A sessão de abertura foi realizada pelo Presidente da AEDAR, Dr. Luís Barbosa e a moderação ficou a cargo da nossa associada Ana Narciso.

Podem ver aqui o vídeo do evento:

Vídeo da primeira parte

Vídeo da segunda parte






O Fórum foi de grande interesse para todos com a Dra. Elvira Fortunato  a mostrar-nos, através da sua palestra, que a Inovação não só se aprende como também se ensina.



Tivemos oportunidade de conhecer o trabalho que a Dra. Elvira Fortunato desenvolve com o seu grupo de cientistas e que a inovação deve ser fomentada no nosso país a fim de nos podermos desenvolver em vários campos, incluindo na questão económica.



Nesta palestra ficamos a conhecer alguns casos de sucesso da aplicação destas novas descobertas por parte do recém criado laboratório de nanofabricação (inaugurado pelo Exmo. Senhor Presidente da República a em Fevereiro de 2011).



Alguns desses casos de sucesso incluem energias alternativas fotovoltaicas(produção de energia limpa através da energia solar), biossensores (aproveitamento destes sensores para o desenvolvimento de dispositivos de baixo custo para países em vias de desenvolvimento), electrónica de papel ( evitando todo o lixo electrónico não reciclável, apostando na celulosa, uma vez que para além de mais barata é também possível de ser reciclada) e os  transístor de papel. O uso da electrónica transparente é também já uma realidade( os chamados ecrãs invisíveis).










A AEDAR tem apostado em realizar diversos Seminários de interesse geral e tem adoptado a metodologia para estes fóruns de ter um orador convidado único para que este possa expor com tempo as suas ideias e também para que os convidados possam participar com tempo, expondo as suas ideias, dúvidas e questões de forma aberta e participativa.









Deixamos aqui uma noticia publicada no Jornal Expresso a 21 de Julho de 2008 a propósito da nossa convidada, a Prof. Dra. Elvira Fortunato

Elvira Fortunato, cientista portuguesa de micro-electrónica, uma das melhores do mundo


Inovação Mundial – Universidade Nova produz primeiros transístores com papel

Os dispositivos poderão ser usados em ecrãs de papel, etiquetas, chips de identificação e aplicações médicas.

Citação do Expresso de 21 de Julho de 2008:
Uma equipa de cientistas do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, liderada por Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, conseguiu produzir pela primeira vez em todo o mundo transístores com uma camada de papel que são tão competitivos como os melhores transístores de filme fino baseados em óxidos semicondutores, área de investigação de ponta em que o Cenimat detém patentes internacionais.

  Transístor de papel desenvolvido em Portugal, na Universidade Nova de Lisboa

Os resultados obtidos “auguram promissoras aplicações no campo da electrónica descartável”, afirma um comunicado da reitoria da Universidade Nova divulgado hoje. Os novos transístores poderão, assim, ser usados em ecrãs de papel, etiquetas e pacotes inteligentes, “chips” de identificação e aplicações médicas. E a produção em larga escala será facilitada pelo baixo custo do papel no mercado mundial.

A celulose é o principal biopolímero existente no nosso planeta e a indústria electrónica está a investir cada vez mais no desenvolvimento de dispositivos com biopolímeros, devido a seu baixo custo, tendo surgido alguns estudos a nível internacional sobre a utilização do papel como suporte físico de componentes electrónicos. Mas é a primeira vez que se utiliza papel como parte integrante de um transístor.

O Cenimat fabricou transístores de filme fino onde o isolante eléctrico – ou dieléctrico – é feito em papel vegetal ou de fotocópia. Um transístor é constituído por três terminais: a fonte, o dreno e a porta (ver ilustração). Nos dispositivos produzidos pelos investigadores da Universidade Nova – os chamados transístores de efeito de campo (FET-Field Effect Transistor, em língua inglesa) – a corrente eléctrica que passa entre a fonte e o dreno é controlada pela tensão aplicada à porta, que tem de estar isolada. A inovação consistiu precisamente no uso do papel para esse efeito num dos lados, e como suporte do próprio dispositivo no outro.

Recorde-se que no final de Maio foi apresentada em Los Angeles uma nova geração de mostradores da Samsung a aplicar em telemóveis e outros suportes, desenvolvida pelo Cenimat e que usa novos materiais cerâmicos com propriedades semicondutoras ligados à chamada electrónica transparente. O centro de investigação da Universidade Nova está envolvido noutros projectos nesta área na Coreia do Sul, Irlanda, EUA, Itália e França.

A cientista Elvira Fortunato, da Universidade Nova, conquista o maior prémio de sempre dado a um investigador português.


Elvira Fortunato, cientista portuguesa de micro-electrónica, uma das melhores do mundo
Inovação Mundial – Universidade Nova produz primeiros transístores com papel
Os dispositivos poderão ser usados em ecrãs de papel, etiquetas, chips de identificação e aplicações médicas.
Citação do Expresso de 21 de Julho de 2008:
Uma equipa de cientistas do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, liderada por Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, conseguiu produzir pela primeira vez em todo o mundo transístores com uma camada de papel que são tão competitivos como os melhores transístores de filme fino baseados em óxidos semicondutores, área de investigação de ponta em que o Cenimat detém patentes internacionais.
Transístor de papel desenvolvido em Portugal, na Universidade Nova de Lisboa
Os resultados obtidos “auguram promissoras aplicações no campo da electrónica descartável”, afirma um comunicado da reitoria da Universidade Nova divulgado hoje. Os novos transístores poderão, assim, ser usados em ecrãs de papel, etiquetas e pacotes inteligentes, “chips” de identificação e aplicações médicas. E a produção em larga escala será facilitada pelo baixo custo do papel no mercado mundial.


A celulose é o principal biopolímero existente no nosso planeta e a indústria electrónica está a investir cada vez mais no desenvolvimento de dispositivos com biopolímeros, devido a seu baixo custo, tendo surgido alguns estudos a nível internacional sobre a utilização do papel como suporte físico de componentes electrónicos. Mas é a primeira vez que se utiliza papel como parte integrante de um transístor.
O Cenimat fabricou transístores de filme fino onde o isolante eléctrico – ou dieléctrico – é feito em papel vegetal ou de fotocópia. Um transístor é constituído por três terminais: a fonte, o dreno e a porta (ver ilustração). Nos dispositivos produzidos pelos investigadores da Universidade Nova – os chamados transístores de efeito de campo (FET-Field Effect Transistor, em língua inglesa) – a corrente eléctrica que passa entre a fonte e o dreno é controlada pela tensão aplicada à porta, que tem de estar isolada. A inovação consistiu precisamente no uso do papel para esse efeito num dos lados, e como suporte do próprio dispositivo no outro.
Recorde-se que no final de Maio foi apresentada em Los Angeles uma nova geração de mostradores da Samsung a aplicar em telemóveis e outros suportes, desenvolvida pelo Cenimat e que usa novos materiais cerâmicos com propriedades semicondutoras ligados à chamada electrónica transparente. O centro de investigação da Universidade Nova está envolvido noutros projectos nesta área na Coreia do Sul, Irlanda, EUA, Itália e França.
A cientista Elvira Fortunato, da Universidade Nova, conquista o maior prémio de sempre dado a um investigador português.



quarta-feira, abril 11, 2012

Algumas Conclusões sobre a temática das Redes Sociais numa Democracia Liberal




 “As redes sociais têm um papel cada vez mais central na nosso quotidiano, porque os utilizadores, passaram a usufruir de um espaço de opinião, influência e disseminação de mensagens incomparável na história da humanidade"
 José Manuel Fernandes


Resumo e conclusões

 No dia 29 de Fevereiro, de 2012, a Associação dos Ex-Deputados da Assembleia da República, organizou um seminário sobre “ As Redes Sociais numa Democracia Liberal”, tendo como orador José Manuel Fernandes. Esta  iniciativa  é um dos contributos agendados  numa  abordagem  mais vasta que se prende com a temática “ O Social no Séc. XXI”. 

Depois da abertura dos trabalhos pelo Presidente da Associação Dr. Luís Barbosa, o Deputado Mendes Bota, Presidente da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, teceu  algumas considerações sobre as várias iniciativas  Parlamentares onde se destaca o Parlamento dos Jovens ,  que este ano abordou a temática das Redes Sociais. Deixou algumas preocupações e uma interpelação: no rol das preocupações considerou: o analfabetismo democrático, o potencial destas redes como foi visível na Primavera Árabe, a mobilização popular, os info-excluídos.  Deixou a seguinte interpelação: esta Associação e os seus Associados podem constituir-se como “grupo de reflexão” que ajude a construir um “quadro legislativo sobre as Redes Sociais ,  até agora inexistente”.


José Manuel Fernandes fez uma exposição exaustiva do que  se considera Redes Sociais  nomeadamente quem usa,  quais as ferramentas disponíveis e que consequências há para o utilizador e para os que estão excluídos por falta de acesso  a estes novos meios de comunicação.


Conclui-se que as redes sociais criaram não só “novas oportunidades  como também novas necessidades e novos problemas.” Estima-se que a nível mundial haja 44 milhões de utilizadores no facebook: só em Portugal estão registados 4 milhões de utilizadores. Logo o escrutínio é mais apertado e a vigilância  é feita em tempo real. O Linkedin é uma ferramenta  quase obrigatória para quem procura / oferece postos de trabalho, algo  que o poder político , ainda não explora  com eficácia. Contudo estes novos meios de comunicação, como o facebook,  blogs ou o twitter  ,  são capazes   de criar grandes embaraços ao poder político como por exemplo o blog que pôs em causa   licenciatura do então Primeiro Ministro, José Sócrates  ou recente caso do Wikileaks. Ou seja: as redes sociais furam os esquemas tradicionais de censura e tornaram-se vitais para a economia, dizendo mesmo que “sem internet não há economia”.


Segundo José  Manuel Fernandes, não será necessário um novo quadro legislativo porque estamos a falar de algo muito volátil que se transforma  muito depressa e é quase impossível fixar em lei. Acrescentou que os mecanismos de auto-regulação colocam na mão do utilizador o que quer fazer. Pode bloquear , denunciar ou seja: transforma-se ele também num “vigilante”  do que se passa nas redes sociais.


Do debate muito participado registam-se os seguintes contributos: Vieira Dias : quadro legislativo europeu para  tipologia de crimes como cibersexo, cibercrime : Nandin de Carvalho : as redes sociais são úteis para a informação dos decisores de democracia representativa, criação de um Provedor da Internet,  os idosos deviam ser estimulados a intervir nas redes sociais para melhoria da sua intervenção cívica;  Fernando Figueiredo: roubo de documentos e abuso de liberdade informação: Fernando de Carvalho: receio de que os meios de comunicação sejam caixas de ressonância,  necessidade de  criar  um espaço público de opinião mais alargada, potenciado pelas redes sociais: Luísa Pombo: os jornais em papel vão acabar uma vez que os jovens usam cada vez mais as redes sociais: Luís Barbosa gerir o factor tempo e a aproximação entre gerações: os mais velhos ensinam matemática e aprendem Informática com os netos.


Após alguma reflexão e respondidas as perguntas destacam-se as seguintes conclusões:

  • há um maior escrutínio, porque há mais vigilantes ( 4 milhões  em Portugal)
  • existem mecanismos de auto-regulação que foram melhorados ao longo do tempo;
  • constata-se alguma reserva em relação à elaboração de um quadro legislativo para as redes sociais, uma vez que  a sua natureza é volátil e por isso mesmo difícil de fixar em lei;
  • contra os perigos da recetividade nas novas gerações e dos incautos das falsas mensagens - HOAX - deturpações e manipulações de informação deveria ser criado um Provedor da Internet para denunciar e manter um banco de dados sobre essas falsidades e ainda  para proporcionar um  combate  à info- exclusão e à desigualdade de acesso eliminando os riscos de isolamento social dos mais idosos
  • as redes sociais são ferramentas poderosas que podem atentar contra o bom nome do cidadão, invadindo a sua privacidade ; ( assunto a ser tratado num próximo seminário)


Conclusões elaborada pela Dra. Ana Narciso, moderadora do Fórum  e associada da AEDAR